Funcionalismo tem salário 40% maior que a média nacional

27 de agosto de 2012

Os funcionários públicos têm salários acima da média brasileira, segundo
dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). A maior parte dos trabalhadores no país, de
acordo com a última Relação Anual de Informações Sociais (Rais), de 2010, ganha
R$ 1.742 por mês, em média. Trabalhando para o governo, o valor médio do salário
sobe para aproximadamente R$ 2.458, o que representa 41,1% a mais.

Entre
as categorias de ocupação, de acordo com o IBGE, os funcionários públicos foram
os que tiveram o rendimento médio real mais alto em maio de 2012, R$ 2.993.
Trabalhadores do setor privado, com e sem Carteira de Trabalho, ganharam entre
R$ 1,5 mil e R$ 1,2 mil, respectivamente. Os autônomos tiveram rendimento de R$
1,5 mil no mesmo período. Essa diferença salarial segue o mesmo padrão desde
maio de 2011.

Nos grupamentos de atividades, conforme o IBGE, os serviços
tradicionalmente prestados pela administração pública aparecem como os mais bem
remunerados. Funcionários das áreas da saúde, da educação, de serviços sociais,
da defesa e seguridade social tiveram rendimento médio de R$ 2.391 em maio deste
ano. Os serviços domésticos e o comércio, por outro lado, são os setores que
registraram os rendimentos mais baixos, R$ 701 e R$ 1,3 mil,
respectivamente.

Entre as unidades da Federação, o Distrito Federal
registra o salário médio mais alto, R$ 3.713, alavancado pela quantidade de
servidores públicos, segundo a Rais. O estado com o rendimento médio mais baixo
é Alagoas (R$ 1.285), seguido pela Paraíba (R$ 1.304) e pelo Piauí (R$
1.311).

Desde 2004, houve 133% de aumento na folha de pagamento dos
servidores federais, de acordo com o Boletim Estatístico de Pessoal do
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog). De R$ 64,7 bilhões em
2003, os gastos com salários subiram para R$ 151 bilhões no final de
2011.

Há quase três meses cerca de 30 setores do funcionalismo público
federal estão em greve, reivindicando aumento de salários. Os setores
paralisados ainda estão em processo de negociação com o governo. Segundo
argumentou o ministro do Trabalho e Emprego, Brizola Neto, todas as carreiras do
serviço público federal nos últimos dois anos tiveram ganho real nos salários
acima da inflação do período.

“Algumas [carreiras] chegaram a ter ganho
real de mais de 100% acima da inflação nos últimos dez anos. É o que diz a
presidenta Dilma Rousseff, que neste momento de crise financeira internacional
em que o Estado brasileiro busca medidas para amenizar os efeitos, a preocupação
principal é a manutenção dos postos de trabalho daqueles que não têm
estabilidade”, disse o ministro. Ele informou que apesar disso, o governo
reconhece a natureza e a legitimidade dos movimentos reivindicatórios e irá
tratar as propostas caso a caso.

Para o secretário-geral da Confederação
dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Consef), Josemilton Costa, apesar
de os salários serem mais altos, os servidores têm menos garantias caso sejam
exonerados. Daí a necessidade de revindicar os aumentos.

“Nós não temos
negociação coletiva, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), pagamento de
hora extra, data-base (renegociação de contrato) ou participação nos lucros. Se
o PIB [Produto Interno Bruto] aumenta, não temos participação. Se amanhã for
exonerado, vou com uma mão na frente e a outra atrás”, explicou
Costa.

* Agência Brasil