Mesmo sem data para início de pagamento, União arrecada R$ 11,2 bilhões com renegociação de dívidas

29 de novembro de 2010

Sem data definida para o início do pagamento das parcelas nem sistema
tecnológico desenvolvido, o programa de renegociação das dívidas com a
União conseguiu arrecadar R$ 11,2 bilhões desde agosto do ano passado. A
quantia vem de contribuintes que desembolsam todos os meses um valor
mínimo para manter a adesão.

De acordo com técnicos da Receita, o órgão ainda não terminou de
desenvolver o sistema de cobrança e acompanhamento capaz de acomodar o
volume de participantes. Segundo o Fisco, a renegociação abrange 490 mil
pessoas físicas e jurídicas. Inicialmente, 560 mil contribuintes haviam
aderido, mas 70 mil foram excluídos porque não informaram se queriam
parcelar toda a dívida ou apenas parte dela.

Atualmente, o parcelamento está em fase de consolidação, quando a
Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN)
levantam a dívida de cada contribuinte e definem o valor das prestações.
Segundo a Receita Federal, somente no ano que vem está previsto o
início do pagamento das parcelas, mas ainda não há data certa.

De janeiro a outubro, a arrecadação com o parcelamento soma R$ 6,448
bilhões em parcelas mínimas de adesão. Para pessoas físicas, o valor é
de R$ 50. Para pessoas jurídicas, a prestação é de R$ 100. Quem havia
parcelado os débitos em outros programas, como o Programa de Recuperação
Fiscal (Refis) e o Parcelamento Excepcional (Paex), paga 85% do valor
da média das prestações anteriores.

No ano passado, durante a crise econômica, o governo permitiu o
parcelamento de quase todas dívidas com a Receita e a PGFN em até 180
meses, com desconto nos juros e nas multas. A renegociação só não
abrangeu os débitos vencidos após 30 de novembro de 2008 ou incluídos no
Simples Nacional. Quem optou pelo pagamento à vista teve perdão de 100%
das multas e dos encargos acrescidos à dívida original.

De agosto a novembro de 2009, os contribuintes puderam aderir à
renegociação. De maio até julho deste ano, os contribuintes foram
obrigados a decidir se parcelariam toda a dívida ou apenas parte dos
débitos. O prazo acabou em 30 de julho. Os participantes que escolheram o
pagamento à vista ainda nem foram convocados a quitar a dívida.

* Agência Brasil