Licença-paternidade de 30 dias: novo acordo no Congresso define cronograma e data de início

13 de outubro de 2025

Ampliação pode ser feita de forma escalonada, começando em 2027 e chegando a 30 dias em 2031, com pagamento feito pela Previdência. Licença-paternidade no Brasil pode chegar a 30 dias até 2031, segundo novo acordo no Congresso – Foto: Câmara dos Deputados

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o relator do projeto, deputado Pedro Campos (PSB-PE), chegaram a um acordo para ampliar, de forma gradual, a licença-paternidade no Brasil.

O entendimento envolve também líderes partidários e a bancada feminina da Câmara, e prevê que o benefício passe a ser custeado pela Previdência Social, e não mais pelas empresas.

Licença-paternidade pode dobrar em 2027 e chegar a 30 dias até 2031

Pelo texto obtido pela Folha de S.Paulo, o pai passará a ter direito a 10 dias de licença remunerada a partir de 2027. A cada ano, serão acrescentados cinco dias até que o prazo chegue a 30 dias em 2031.

Hoje, a legislação trabalhista garante apenas cinco dias corridos de afastamento após o nascimento de um filho. A proposta de aumento do tempo da licença-paternidade busca alinhar o Brasil a práticas internacionais e reduzir desigualdades entre os períodos de licença concedidos a homens e mulheres.

A proposta prevê aumento de cinco dias por ano, começando com 10 dias em 2027Foto: Freepik/Reprodução/ND

A proposta prevê aumento de cinco dias por ano, começando com 10 dias em 2027 – Foto: Freepik

Um dos principais pontos de consenso foi o custeio. Atualmente, quem arca com os dias de licença é o empregador. Com a nova regra, o pagamento passará a ser feito pela Previdência Social, aliviando o setor privado e tornando o projeto mais viável politicamente.

Decisão do STF acelerou o debate

A movimentação no Congresso ocorre após o STF (Supremo Tribunal Federal) determinar que o benefício deve ser regulamentado por lei — algo pendente desde a promulgação da Constituição de 1988. A expectativa é de que o texto da licença-paternidade seja votado nas próximas semanas na Câmara.

Segundo cálculos da consultoria da Câmara dos Deputados, a ampliação da licença-paternidade terá um impacto bilionário para os cofres públicos. Se aprovada, a medida começaria a valer em 2027, com um custo estimado de R$ 4,34 bilhões. No ano seguinte, o valor subiria para R$ 6,18 bilhões e chegaria perto de R$ 12 bilhões em 2031.

A medida atende decisão do STF, que cobrou a regulamentação da licença-paternidadeFoto: Divulgação STF

A medida atende decisão do STF, que cobrou a regulamentação da licença-paternidade – Foto: Divulgação STF

O relator, deputado Pedro Campos (PSB-PE), avalia que o gasto é viável. “Do ponto de vista fiscal, é algo razoável para o governo federal e pode ser absorvido dentro do Orçamento da União e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)”, afirmou. Segundo ele, o projeto respeitará os limites do arcabouço fiscal e da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Gasto pode cair com mudanças no salário mínimo

Os custos podem ser menores se o governo alterar a política de valorização do salário mínimo, que hoje considera a inflação mais o crescimento do PIB de dois anos antes. Caso o reajuste fosse feito apenas pela inflação, a despesa cairia para R$ 2,4 bilhões em 2027, R$ 3,4 bilhões em 2028 e R$ 6,9 bilhões a partir de 2031.

O texto não cria uma nova fonte de custeio. Inicialmente, o governo tentou vincular a proposta à Medida Provisória (MP) que aumentava impostos, mas a MP foi rejeitada na quarta-feira (8). Para evitar questionamentos jurídicos, o projeto determina que o benefício será bancado pela Previdência Social, e o governo busca uma fonte de receita estável para sustentar o programa.

Ampliação do benefício pode custar R$ 4,3 bilhões em 2027 e até R$ 12 bilhões em 2031Foto: Divulgação/Freepik/ND

Ampliação do benefício pode custar R$ 4,3 bilhões em 2027 e até R$ 12 bilhões em 2031 – Foto: Divulgação

Licença de 30 dias foi o consenso possível

A proposta original da bancada feminina previa uma licença-paternidade de 60 dias em até cinco anos, mas o custo projetado chegava a R$ 118 bilhões em uma década. Diante da resistência de parte da Câmara, o relator afirma que o acordo possível foi limitar o aumento a 30 dias.

“É um relatório construído para garantir maioria de votos e atender diferentes visões dentro da Casa”, explicou Campos. Para ele, a nova regra aproxima o Brasil de países europeus. “Ter um pai presente deve ser um direito, não um privilégio. A divisão justa do cuidado é essencial numa sociedade que ainda sobrecarrega as mulheres”, completou.

 

Fonte: ND+