Identidade com chip começará a ser emitida ainda neste ano

10 de agosto de 2010
Foto: Agência Brasil

Novo documento tem dispositivos contra falsificação – Foto: Divulgação/Agência Brasil

O Instituto Nacional de Identificação (INI) da Polícia Federal
pretende emitir, até o final do ano, de 100 mil a 200 mil registros de
identidade civil (RIC), a nova carteira de identidade equipada com um
chip que vai permitir ao cidadão exercer todos os seus direitos com um
único documento. Ainda não está prevista, no entanto, a data de início
da emissão dessas carteiras.

Além de simplificar a vida do brasileiro, o RIC traz dispositivos
contra a falsificação, o que evitará fraudes a partir do roubo da
carteira de identidade. O novo documento também permitirá a criação de
um banco de dados único com as digitais dos brasileiros, compartilhado
entre os órgãos de segurança dos estados e dos municípios.

“Isso vai aumentar muito a eficácia da perícia criminal brasileira e
tornar realidade o que hoje se vê nos programas de televisão sobre
laboratórios criminais”, disse o deputado William Woo (PPS-SP), autor de
uma emenda que viabilizou os convênios para confecção do documento.

“A Polícia Federal não tem pessoal nem postos suficientes para emitir
a carteira em todo o território nacional. Era preciso permitir o
convênio com os estados, assim como ocorre nas emissões das carteiras de
motorista”, argumenta o deputado.

Atualmente, dos 26 estados brasileiros, 19 já estão conveniados e outros 5 manifestaram o interesse de se credenciar.

Custos de implantação

O custo da nova tecnologia, de acordo com o INI, é de aproximadamente
800 milhões de dólares (R$ 1,4 bilhão) para instalação do projeto e
emissão de 170 milhões de carteiras. Essa despesa ficará a cargo da
União.

“É um valor relativamente pequeno, se for levado em consideração que
os bancos investem R$ 1 bilhão por ano em tecnologia para garantir a
segurança na identificação dos clientes, de acordo com a Febraban
[Federação Brasileira dos Bancos]”, disse o assessor do INI Paulo Ayran.

O comitê responsável pelo novo documento foi instalado na última
quinta-feira (5). Esse comitê voltará a se reunir no dia 25 de agosto
para começar as discussões sobre o cartão a ser adotado, com base em um
modelo já desenvolvido pelo Instituto Nacional de Identificação.

A previsão é que, em nove anos, todos os documentos emitidos no País estejam nesse novo modelo.

A nova identificação foi prevista pela Lei 9.454/97, criada a partir
de um projeto do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Mas a proposta só pôde
ser colocada em prática a partir do ano passado, depois que a lei foi
alterada por emenda do deputado William Woo à Medida Provisória 462/09.

Além disso, a regulamentação da Lei 9.454/97 só ocorreu em maio deste
ano, o que atrasou o cronograma do INI. Inicialmente, a previsão era
emitir 2 milhões de documentos ainda em 2010.

* Agência Câmara