Governo vai pedir digitais para pagar seguro-desemprego

9 de novembro de 2012

Em resposta a fraudes, o Ministério do Trabalho vai passar a exigir as
digitais dos beneficiários para pagar o seguro-desemprego.

O sistema
biométrico deve entrar em vigor em até dois anos.

A iniciativa pretende
evitar crimes como o cometido por quadrilha desarticulada nesta quinta-feira (8)
suspeita de causar prejuízo de R$ 30 milhões com fraudes no seguro-desemprego, o
maior golpe na história do benefício.

“Se o sistema biométrico já
existisse, essa fraude com certeza não teria acontecido, pois cada um dos
fraudadores se fazia passar por 20 pessoas”, afirmou Rodolfo Torelly, secretário
de Políticas Públicas de Emprego substituto, em coletiva.

Segundo a
Polícia Federal, o grupo formado há cinco anos em São Paulo usava documentos
falsos para declarar a contratação e demissão de funcionários para pedir o
benefício. A investigação concluiu que as empresas envolvidas no esquema e os
requerentes do seguro-desemprego também eram falsos.

O inquérito policial
teve início em outubro do ano passado após a comunicação do Ministério do
Trabalho sobre as suspeitas de fraudes. Foram identificadas até o momento 287
companhias envolvidas no esquema.

O MTE estima que a fraude possa superar
R$ 30 milhões. Outros R$ 7 milhões deixaram de ser pagos nos últimos meses da
investigação devido ao compartilhamento de informações entre técnicos do MTE e
da PF para aperfeiçoar os sistemas de controle.

Na operação, foram
apreendidos documentos pessoais falsos, documentos de empresas, carimbos,
computadores e quatro veículos usados pelos suspeitos. Quatro pessoas foram
presas em Uberlândia.

Documentos apreendidos na operação contra quadrilha que fraudava o seguro-desemprego -  Foto: Divulgação/PF

Documentos apreendidos na operação contra quadrilha que
fraudava o seguro-desemprego – Foto: Divulgação/PF

Os
investigados responderão pelos crimes de formação de quadrilha, estelionato e
lavagem de dinheiro. As penas, somadas, podem chegar a 20 anos de
prisão.

A operação desta manhã foi batizada de Chakal em referência ao
pseudônimo usado pelo grupo em cadastros em órgãos públicos. A ação envolve 70
policiais federais e sete técnicos do Ministério do Trabalho.

Eles
cumprem mandados de busca e apreensão em São Paulo, Ribeirão Preto (SP),
Jaboticabal (SP), Uberlândia (MG), Catalão (GO) e Gurupi (TO).

A Polícia
Federal e o MTE preferiram não divulgar os meios pelos quais identificaram a
fraude “para que ações futuras tenham o mesmo sucesso”.

* Folha de
S.Paulo