Governo desiste de cobrar desconto retroativo ao INSS

23 de agosto de 2010

Diferença de valor das contribuições será cobrada apenas após 16
de junho. Conforme o salário, há empregados que teriam de pagar mais R$
33,60, enquanto outros teriam devolução de R$ 207,60

Após reclamações do setor empresarial, o governo voltou atrás nesta
semana e não irá mais cobrar, retroativamente, a diferença da
contribuição previdenciária devida pelos trabalhadores devido ao aumento
retroativo a janeiro das aposentadorias e pensões com valores acima de
um salário mínimo.

A confusão sobre o novo teto do salário de contribuição do INSS
aconteceu porque o Congresso aprovou, em maio, o reajuste de 7,72% para
os aposentados e pensionistas que ganham mais de um salário mínimo.

O reajuste aprovado, retroativo a janeiro, ficou acima dos 6,14%
propostos pelo governo em dezembro do ano passado e em vigor desde
janeiro, mas foi confirmado pelo presidente Lula.

Com isso, a Previdência Social repassou a diferença para o teto da
tabela de contribuições. No dia 29 de junho, a portaria interministerial
nº 330 estendeu até janeiro deste ano a retroatividade dessa correção,
para financiar os gastos com o reajuste.

Na prática, isso significava que o trabalhador poderia ficar devendo à
Previdência mesmo após sua contribuição já ter sido recolhida pela
empresa durante o ano todo.

Nesta semana, em nova portaria interministerial, a de nº 408, o
governo desistiu da extensão até janeiro e definiu que a retroatividade
ficará restrita a 16 de junho.

Se a retroatividade fosse mantida, um trabalhador que contribui pelo
teto (salário de R$ 3.600, por exemplo) estaria devendo R$ 33,60 pelos
seis meses (janeiro a junho). Já um que ganha R$ 1.730 teria de receber
R$ 207,60 de restituição.

* Folha de S.Paulo