Empresas brasileiras sobrevivem por mais tempo, mas 15% ainda ‘morrem’ no 1º ano

2 de outubro de 2012

O brasileiro é conhecido por várias características. A de empreendedor é uma
delas e nos últimos anos ela vem amadurecendo e dando bons resultados. O
Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) tem um índice chamado
“Empresômetro” que mede a quantidade de novos negócios no país. Este ano, de
janeiro até setembro, o Brasil passou a ter 1.297.685 novas empresas.

O
estudo mostra as categorias, a distribuição pelas regiões do país e o setores.
As de serviços foram as que mais cresceram esse ano. Em segundo veio comércio,
seguido pela indústria. A maioria delas – 97% – , é de empresas privadas. A
categoria que mais cresceu em 2012, foi a chamada MEI – Microempreendedor
Individual, com 849.782, segundo o IBPT.

“Há uma criação maior de
pequenos empreendimentos em dois momentos da economia – quando está muito bem ou
muito mal. Quando há um desemprego maior, as pessoas pegam suas economias e
aplicam num pequeno negócio. Nos últimos anos, como não vivemos essa situação,
houve uma quantidade importante de formalização dessas empresas”, diz Gilberto
Amaral, coordenador de estudos do IBPT.

Nesta terça-feira o instituto vai
divulgar um estudo mais completo sobre o quadro geral das empresas no Brasil.
Com exclusividade para o G1, o coordenador do IBPT antecipou um dado importante
e que revela a maturidade dos empreendedores brasileiros – a mortalidade das
empresas, ou seja, as que “morrem” no primeiro ano de vida, é hoje de 15% do
total dos novos negócios. Segundo o IBPT, isso é menos da metade do que
acontecia no Brasil na década de 70.

“No passado a principal causa era a
falta de acesso ao crédito. Atualmente, é a falta de estrutura e planejamento.
Hoje, para empreender é necessário ter uma analise boa do mercado porque a
concorrência é maior. Esse quadro demonstra um maior grau de maturidade das
empresas”, afirma Gilberto Amaral.

O crédito é um dos combustíveis do
desempenho do “empresômetro”. A escolha pelo setor de serviços é um reflexo da
economia atual em que há muito emprego, renda em alta e apetite por consumo. Mas
o fôlego para manter esse ritmo de abertura de empresas pode estar chegando ao
fim.

“Não vejo mais espaço para a abertura de tantos novos negócios,
principalmente se olharmos as empresas fora da categoria MEI. A criação de
filiais, por exemplo, tem diminuído de ritmo esse ano. Para o ano que vem, não
vejo um cenário melhor, mesmo com a recuperação da economia. Mesmo em 2012, não
devemos repetir o desempenho de 2011 ou 2010. A construção civil puxou muitos
negócios até hoje, agora tende a se acomodar, assim como em vários setores”,
avalia o coordenador do IBPT.

Ainda assim, o empreendedor brasileiro de
hoje é mais arrojado e mais focado em seus planos. As novas tecnologias
disponíveis principalmente para o consumo, também ajudam muito – por exemplo a
internet, os pagamentos com cartão de crédito. É preciso mais de “software” do
que de “hardware” para começar um negócio.

“Essas pequenas empresas, da
categoria MEI, não dependem de um grande investimento. A empresa surge em razão
do sócio e não das mercadorias que serão vendidas. Elas precisam contar com a
habilidade dos empreendedores.

No estudo que será divulgado nesta
terça-feira, o IBPT vai mostrar que o país tem hoje mais de 12 milhões de
empreendimentos ativos, entre empresas, entidades privadas, órgãos públicos,
estrangeiras, entre outras. Numa conta simples, feita durante a entrevista com o
G1, Gilberto Amaral fica feliz com o resultado.

“Se a gente divide esses
12 milhões pela população brasileira, é como se tivéssemos uma empresa para cada
16 habitantes. Não tenho uma comparação com outros países, mas o número me
surpreendeu e acho muito positivo para o país”, disse o executivo.

*
do blog de Thais Herédia / G1