Economia: Presidentes do BNDES e Banco Central Dizem que Brasil Vai Sair Da Crise Melhor do que Entrou

29 de maio de 2009



Em audiência conjunta das comissões técnicas do Senado, nesta quarta-feira (27/05), Luciano Coutinho disse que, depois de 2010, país deverá crescer acima da média mundial. Já Henrique Meirelles destacou, em sua audiência semestral com oscongressistas, a robustez das reservas cambiais em moeda estrangeira a contínua tendência de queda da dívida pública, medida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), e da taxa de inflação, bem como a retomada de investimentos no setor industrial.

 

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, manifestou sua expectativa de um “crescimento robusto” da economia brasileira, após o arrefecimento da crise financeira mundial.

 

– Nós temos espaço para sair dessa crise crescendo, ao contrário de muitas crises anteriores de onde saímos tão enfraquecidos que, ao primeiro sinal de crescimento, revelavam-se desequilíbrios macroeconômicos hoje não mais presentes – disse.

 

Para justificar a previsão otimista, Meirelles destacou o fato de o país contar no momento atual com reservas cambiais em moeda estrangeira maiores do que no início da crise. Do mesmo modo, ele considerou a contínua tendência de queda da dívida pública, medida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), e da taxa de inflação, bem como a retomada de investimentos no setor industrial, como indicativos de que o país poderá crescer a taxas mais elevadas do que a média histórica, já a partir do ano que vem.

 

Comentando sugestão do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sobre a possibilidade de se utilizar a taxa de juros não apenas para o controle da inflação, mas, sobretudo, como instrumento de fomento da economia e de redução do desemprego, Meirelles observou que tal prática de perseguir objetivos diversos tem dado resultados negativos.

 

Respondendo a críticas sobre uma possível falta de ação do Banco Central, visando conter a tendência atual de desvalorização do real frente ao dólar, Meirelles observou que em países cuja economia é fortemente dependente da exportação de commodities, como é o caso do Brasil e da Austrália, as políticas de controle cambial têm se mostrado incapazes de reverter tendências de desvalorização cambial.

 

Meirelles afastou também preocupações de deputados relativas a um possível aumento da entrada de capitais especulativos na economia brasileira em função das altas taxas de juros internas. Segundo ele, a grande entrada de capitais verificada recentemente no país não é resultado das taxas de juros, mas se deve principalmente à contratação de financiamentos externos pelo setor empresarial e à retomada de planos de investimentos de multinacionais.

 

Em resposta a questão formulada pelo deputado Vanderley Macris (PSDB-SP), relativizando o reaquecimento das vendas de automóveis verificado em março, Meirelles reconheceu a possibilidade influência no resultado da antecipação de compras dos consumidores, em razão da expectativa de não prorrogação da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).


Fonte: Agência Senado