Carga tributária do Brasil é maior que em 17 países da OCDE

14 de novembro de 2012

Proporção dos tributos no Brasil em relação ao PIB foi maior do que em
países como Austrália, Canadá, Japão, Nova Zelândia, Espanha, Suíça e EUA.

As receitas tributárias brasileiras cresceram “consideravelmente”
nas últimas duas décadas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e atingiram
níveis superiores aos verificados em muitos países da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Essa é uma das constatações do
documento Estatísticas sobre Receita na América Latina, divulgado nesta
terça-feira, 13, pela entidade, que mostra que, em 2010, a proporção dos
tributos no Brasil em relação ao PIB foi maior do que em 17 países da OCDE,
incluindo Austrália, Canadá, Japão, Nova Zelândia, Espanha, Suíça e Estados
Unidos.

“Historicamente, o Brasil tem sido o país da América Latina com a
maior proporção de tributos em relação ao PIB durante o período de 1990-2009
(mas em segundo lugar depois da Argentina em 2010), mostrando percentuais
semelhantes à média da OCDE, especialmente depois de 2004”, diz o
documento.

Segundo o estudo, em 2010, a relação entre a arrecadação de
impostos e o PIB foi de 19,4% para os 15 países latino-americanos e de 33,8%
para todos os países que integram a OCDE. Em relação especificamente ao Brasil,
os impostos representaram 32,4% do PIB (ante 28,2% do PIB em 1990), ficando
atrás apenas da Argentina (33,5%).

Com relação à estrutura tributária, o
documento destaca que o porcentual de impostos indiretos e particularmente o
ICMS é relativamente alto no Brasil na comparação com os demais países da OCDE.
A avaliação feita é de que as elevadas receitas provenientes da tributação
indireta no Brasil estão ligadas a quatro formas distintas de ICMS, que são
arrecadados pelos Estados, o que torna o sistema complexo.

No caso da
tributação direta, o estudo mostra que as receitas tributárias de impostos sobre
os rendimentos e lucros têm desempenhado um papel secundário como fonte de
receita na América Latina, mesmo com a tendência de alta observada de 1990-2010.
Essas tributos também cresceram no Brasil, mas, segundo o levantamento, em ritmo
mais lento que a média na região.

As receitas de impostos sobre a renda
da pessoa física foram consideradas “especialmente baixas”. Em contrapartida, as
contribuições para a previdência contribuem com uma proporção significativa das
receitas tributárias totais do Brasil nas últimas duas décadas, atingindo níveis
próximos aos da OCDE. “Em certa medida, isto é explicado pela grande variação
nos regimes de previdência da América Latina. A previdência representa a maior
parte das receitas em países que têm regimes públicos e mistos, como Brasil,
Costa Rica, Equador, Panamá, Paraguai e Uruguai”, diz o documento.

Os
impostos sobre rendimentos e lucros no Brasil atingiram 6,9% do PIB em 2010,
ante 4,8% nos países da região e 11,3% nos países da OCDE. As contribuições
previdenciárias representaram 8,4% do PIB no Brasil no mesmo ano (3,6% nos
países latino-americanos e 9,1% nos integrantes da OCDE).

O estudo ainda
observou uma tendência de crescimento da participação das contribuições sociais
e trabalhistas no total da arrecadação de impostos do Brasil entre 1990 e 2010,
com níveis superiores ao da média da região e entre países da OCDE. Segundo o
levantamento, em 2010, a proporção média do total de receitas geradas pelos
impostos diretos, contribuições sociais, previdenciárias e trabalhistas em
relação ao PIB foi de 16,2% no Brasil, de 20,8% nos países da OCDE e de 8,5% na
região latino-americana. A tributação sobre propriedade no Brasil atingiu 1,9%
do PIB em 2010, ficando próxima aos níveis dos países da OCDE (1,8%) e acima dos
países da região (0,8%).

* Agência Estado