Carga tributária consome mais da metade do lucro no varejo

21 de maio de 2025
Carga tributária consome mais da metade do lucro no varejo

Impostos elevados forçam empresas a fechar portas e aumentam informalidade – Foto: Freepik

 

No Brasil, o varejista que trabalha dentro da lei pode perder mais de 50% do seu lucro com impostos. Isso acontece por causa da alta carga tributária, que inclui taxas como ICMS, PIS, Cofins, IRPJ e CSLL. O peso dos tributos é tão grande que 6 em cada 10 empresas fecham as portas antes de completar 5 anos, segundo o IBGE.

Em outras palavras, a cada R$ 3 faturados, R$ 1 vai para os cofres públicos.

Margem apertada fecha empresas que mal abriram

Em empresas que operam no regime do Lucro Real (em que os tributos são calculados após descontar todas as despesas) a soma das alíquotas pode ultrapassar 50% do resultado líquido. A consequência aparece nas estatísticas: cerca de 60% das empresas brasileiras fecham antes de completar cinco anos, segundo o IBGE. No varejo, o cenário é ainda mais dramático.

Um levantamento da Cortex aponta que, entre janeiro de 2014 e agosto de 2024, 7 milhões de lojas encerraram atividades no país, o que equivale a seis em cada dez estabelecimentos abertos no período.

Diante das dificuldades, muitos varejistas recorrem à informalidade como estratégia de sobrevivência. Dados do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) revelam que 42% da força de trabalho do setor atua informalmente, sem registro em carteira. A evasão é uma forma de aliviar o peso fiscal, mas também gera um ciclo de baixa produtividade, insegurança jurídica e concorrência desleal.

Burocracia aperta o varejo

Não é só o valor dos tributos que pesa. O tempo e os recursos exigidos para cumprir obrigações fiscais também dificultam a vida de quem quer empreender. De acordo com o relatório Doing Business 2020, uma empresa brasileira média gasta 1.501 horas por ano só para lidar com tributos — o equivalente a cerca de 63 dias úteis, ou uma equipe dedicada quase exclusivamente à área fiscal.

Já o Global Business Complexity Index 2024, do TMF Group, coloca o Brasil como o 7º país mais complexo do mundo em termos de ambiente fiscal e regulatório. Isso acontece porque cada estado e cidade tem suas próprias normas, e elas mudam com frequência, o que torna caro e complicado seguir todas as exigências.

Além disso, empresas médias precisam lidar com dezenas de obrigações acessórias mensais: SPED, eSocial, DCTF, DIRF, REINF e outras, exigindo estrutura contábil robusta mesmo em negócios de pequeno porte.

O Brasil também se destaca negativamente na tributação sobre o consumo. Em 2023, os impostos sobre bens e serviços representaram 12,6% do PIB, frente a 9,9% na média da OCDE. Essa carga elevada sobre o consumo distorce preços e prejudica especialmente os consumidores de baixa renda, além de encarecer a operação das empresas que dependem do volume para lucrar.

Sem mudanças profundas na estrutura tributária, o varejo continuará sob constante pressão, repassando os custos ao consumidor.

 

Fonte: O Tempo