Câmara aprova projeto que amplia direitos do trabalhador doméstico

3 de dezembro de 2012

Projeto precisa ser aprovado ainda em segundo turno pelos deputados antes
de seguir para votação no Senado, também em dois turnos.

O plenário
da Câmara aprovou uma proposta de mudança na Constituição para estender ao
trabalhador doméstico os mesmos direitos garantidos aos demais empregados. Parte
desses direitos tem respaldo na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e terá
validade assim que for promulgada a emenda constitucional. Nessa categoria estão
a jornada de trabalho de oito horas diárias e 44 horas semanais e pagamento de
horas extras. Esses direitos se somarão aos já estabelecidos para os domésticos,
por exemplo, as férias, o 13º salário e a licença-maternidade.

A proposta
foi aprovada com 359 votos a favor e apenas dois contrários, os dos deputados
Roberto Balestra (PP-GO) e Zé Vieira (PR-MA). Todos os partidos orientaram suas
bancadas pelo voto favorável. O projeto precisa ser aprovado ainda em segundo
turno pelos deputados antes de seguir para votação no Senado, também em dois
turnos.

A proposta do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) foi relatada na
comissão especial da Câmara pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ),
ex-empregada doméstica. Outros direitos garantidos no projeto terão de ser
regulamentados antes de entrar em vigor. Dentre eles estão o que torna
obrigatório o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o seguro contra
acidentes de trabalho, seguro-desemprego, creches e pré-escolas para filhos e
dependentes até seis anos de idade, adicional noturno e salário
família.

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) feita pelo
IBGE de 2009 revelou que são 7,2 milhões de trabalhadores domésticos no País,
representando 7,8% das ocupações. Do total, 93% são mulheres e 57% negras. Dados
da comissão apontam que a formalização atinge apenas um terço dos trabalhadores
domésticos.

* Agência Estado / Estadão