Burocracia prejudica competitividade das indústrias

11 de setembro de 2012

O excesso de burocracia prejudica a competitividade de 92% das indústrias
brasileiras, além de elevar os custos, desviar recursos das atividades
produtivas e atrapalhar os investimentos. A avaliação é da Confederação Nacional
da Indústria (CNI), que fez a Sondagem Especial Burocracia, divulgada ontem
(10).

Na sondagem, realizada entre 2 e 17 de abril, foram ouvidos 2.388
industriais em todo país. Desses, 1.835 são da indústria de transformação, 116
da extrativa e 437 da construção. Para mais da metade dos entrevistados (52%), o
impacto da burocracia na empresa é alto.

Entre as dificuldades apontadas
pelos setores industriais está o número excessivo de obrigações legais, com 85%
das respostas. Em segundo lugar, vem a complexidade das obrigações legais, com
56% das opiniões, e, em terceiro, com 41% das respostas, os entrevistados
citaram a alta frequência das mudanças.

Segundo a CNI, procedimentos
excessivamente burocráticos complicam a obtenção de licenças e alvarás. Para 76%
dos entrevistados, é alto o grau de burocracia na emissão de certificados e
licenças ambientais. Na avaliação de 70%, a burocracia é excessiva na legislação
trabalhista e 66% fazem a mesma consideração em relação à emissão de
certificados e licenças sanitárias.

A participação em processos de
licitação é considerada burocrática por 93% dos empresários. Os procedimentos
para obtenção de financiamento público são complicados para 96% deles. Dos
empresários, 95% reclamaram das obrigações contábeis e 88% dos procedimentos
para pagamento dos tributos.

De acordo com a sondagem, quanto maior a
empresa, maior é a percepção de que os processos burocráticos atrapalham a
competitividade dos negócios. A maioria, 95% das médias e 94% das grandes
indústrias, é afetada pelo excesso de burocracia. Esse número cai para 88% entre
as pequenas empresas.

Na opinião dos empresários, o governo deve investir
no combate à burocracia. A prioridade para 73% deve ser a área trabalhista. Em
segundo lugar, como opção mais citada – foi possível apresentar mais de uma
resposta por entrevistado –, aparece, com 55%, o combate à burocracia na
legislação ambiental. Os empresários citaram ainda sugestões para que o governo
elimine procedimentos para o pagamento dos tributos (42%), diminua as obrigações
contábeis (41%), facilite o trâmite em torno da Previdência Social (39%) e
facilite a obtenção de licença de funcionamento, alvará de construção ou
habite-se (36%).

* Agência Brasil