Brasil é exemplo de bom uso econômico de recursos naturais, diz economista do Banco Mundial

14 de setembro de 2010

O Brasil é exemplo para o uso de recursos naturais a favor do
crescimento econômico, segundo avaliação do economista do Banco Mundial
(Bird), John Nash que divulgou ontem (13) um estudo sobre o assunto.

“A maioria dos países da América Latina não avançou tanto quanto o
Brasil”, disse Nash durante lançamento do relatório Recursos Naturais na
América Latina: Indo Além das Altas e Baixas, do qual ele é um dos
autores. “O país é um verdadeiro exemplo de diversificação na exploração
e exportação de seus recursos naturais”.

Segundo Nash, na década de 60, o café era a principal commodity
vendida pelo país para o exterior e correspondia a 53% do total de suas
exportações. Já em 2006, o principal produto exportado pelo Brasil é o
minério de ferro e este representa só 7% do total de produtos vendidos a
outros países.“Isso é um sinal de diversificação”, afirmou. “O
contrário aconteceu na Venezuela. Lá o principal produto exportado é o
petróleo, que representava 92% das exportações em 2006”.

A diversificação da exportação de commodities é, segundo o relatório
do Bird, uma das práticas que países detentores de recursos naturais
devem seguir para melhor aproveitar seus bens. Além dela, o estudo prega
a poupança e a consolidação das instituições públicas como pontos-chave
para que as matérias-primas não tornem-se uma “maldição”, mas sim uma
“benção” para esses países.

“Os recursos naturais não são uma maldição nem benção”, complementou
Francisco Ferreira, economista-chefe do Bird para a América Latina. “É
possível usar esses bens para o desenvolvimento, mas é preciso saber
usá-los”.

Ferreira disse que a poupança serve para que o país exportador
mantenha a estabilidade mesmo quando a venda de commodities passa por
uma crise, como em 2008. Já as instituições fortes fazem com que o
dinheiro obtido com os produtos seja investido em áreas como educação e
apoio à indústria e colabore para o desenvolvimento sustentável.

“O Brasil já está pensando em um fundo estabilizador com recursos do
pré-sal. Isso é bom, mas o país precisa debater como isso vai
funcionar”, afirmou Ferreira. O economista disse ainda que a exploração
do petróleo da chamada camada pré-sal será um dos maiores desafios do
país para o gerenciamento de seus recursos naturais nos próximos anos.
Segundo ele, o começo da extração trará várias possibilidades, mas
também riscos para o país.

Ferreira disse que a valorização do câmbio, por exemplo, pode criar
problemas para a indústria nacional. Por isso, ele defende que parte da
renda do petróleo seja investida em poupança em moeda estrangeira.

* Agência Brasil