Aplicação em ações da Petrobras rendeu quase dez vezes mais que FGTS

14 de setembro de 2010

Trabalhador que investiu há dez anos na estatal viu a grana multiplicar

O dinheiro que o trabalhador usou do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço) para a compra de ações da Petrobras em 2000 rendeu 624,32%
ao longo dos dez anos, enquanto que a grana que ficou parada no fundo
teve rendimento de 65,06% no mesmo período, segundo cálculo elaborado
pelo Instituto FGTS Fácil.

Isso significa que se o trabalhador investiu R$ 100 do FGTS em ações
da petrolífera em 2000, hoje ele tem R$ 724,32 (veja simulação abaixo).
Ao passo que os mesmos R$ 100 que ficaram no fundo atualmente viraram R$
165.

Nesta semana, a Petrobras iniciou o período para reserva de ações.
Quem já investe na estatal com a grana do FGTS poderá ampliar a
participação. Para isso, esse investidor deve ter comprado uma cota no
FMP (Fundo Mútuo de Privatização) na época da primeira oferta pública,
em 2000, e não ter vendido nenhuma ação ao longo dos anos. O prazo para a
manifestação do interesse na reserva termina na quinta-feira (16).

Para Mário Avelino, presidente do instituto, o investidor deve aproveitar a chance e “investir tudo o que puder”.

 – O FGTS é um assalto no bolso do trabalhador. Todos os anos ele
deixa de ganhar ao menos R$ 5.000 em rendimento por causa da TR [taxa
referencial]. Então, se ele tiver essa oportunidade, não deve mesmo
perder a chance. O dinheiro do brasileiro está sendo desvalorizado no
fundo.

A crítica de Avelino em relação à correção do FGTS está relacionada
ao cálculo feito pelo governo para atualizar a grana do trabalhador. O
motivo é que há dez anos o Banco Central corrige o saldo do fundo pelo
TR, atualmente em 0,07% ao ano, enquanto a inflação está em 4,5%. Ou
seja, todos os anos essa diferença entre a remuneração dada pelo governo
às contas é sempre muito abaixo da inflação, o que faz com que o fundo
acumule perdas significativas ao longo dos anos.

Apesar de o valor da ação ainda não ter sido definido, a perspectiva é
que ela esteja até 20% mais barata que há dez anos.  O valor será
divulgado no próximo dia 23 tendo como base uma pesquisa entre os
investidores e a quantidade de interessados na oferta – esse processo é
chamado de bookbuilding. O teto máximo para a capitalização foi aprovado
pelo governo em até R$ 150 bilhões.

Foto: Imagem do R7

Foto: Imagem do R7

Bom negócio

Márcio Ardelio de Souza, engenheiro e consultor, é uma das pessoas
que investiu na Petrobras há dez anos e agora está pronto para ampliar a
participação. Na primeira vez, o governo autorizou que os trabalhadores
usassem até a metade do saldo do FGTS, ou seja, 50%.  Ardelio aplicou
R$ 125 mil no FMP (Fundo Mútuo de Privatização) e, mesmo diante à
desvalorização em torno de 25% das ações da Petrobras neste último ano,
ele não vendeu os papéis.

–  Eu confesso que não acompanho permanentemente o desempenho das
ações, mas agora não vale a pena vender porque o valor está muito baixo
[…]. Estou muito satisfeito com o resultado e agora vou aproveitar o
privilégio para aumentar.

Os investidores que decidirem ampliar a participação terão um prazo
de carência de 12 meses. Ou seja, por um ano não poderão vender a ação.
No entanto, se nesse período ele for demitido sem justa causa, ele
poderá excepcionalmente vender o papel e resgatar junto com a grana do
FGTS.

Os interessados devem entrar em contato com o banco gestor do fundo
de privatização, apresentar o extrato da conta do FGTS e informar quanto
desejam investir na nova aplicação.  Para formalizar a reserva, o
investidor terá que preencher um formulário selando a intenção de
participar da oferta.

* R7.com