Apenas 20% das empresas instaladas no país avaliam formalmente os funcionários

18 de dezembro de 2012

Falta da atividade influencia de forma negativa na identificação de
talentos potenciais da empresa.

Empresas que não avaliam formalmente
o desempenho do funcionário podem colocar em risco a carreira dos colaboradores.
Pesquisa realizada pela Page Assessment, uma divisão da empresa Michael Page,
identificou que 80% das empresas instaladas no Brasil utiliza sistemas de
avaliação informal para o desenvolvimento dos funcionários – sem frequência
definida para o feedback e nenhum documento que registre o histórico da
avaliação.

A falta da atividade influencia de forma negativa na
identificação de talentos potenciais e de futuras promoções dentro da empresa. A
pesquisa foi realizada em outubro deste ano e teve a participação de 206
diretores e gerentes de Recursos Humanos de vários setores da
economia.

Conforme Giuliana Menezes, gerente da Page Assessment, o
resultado foi assustador, mas ela acredita que em pouco tempo o cenário nessas
empresas irá mudar, especialmente pela necessidade de profissionais
qualificados.

— A avaliação dos colaboradores é viável mesmo em uma
pequena empresa porque com a ferramenta a empresa consegue cobrar do
profissional um rendimento maior e mostrar quais são os valores da organização –
afirma.

Na matriz da Intelbras, em São José, o sistema de avaliação
formal do funcionário existe há mais de 10 anos e abrange os 1.582 colaboradores
da empresa, desde o nível operacional até a direção.

De acordo com a
analista de Recursos Humanos, Valdirene Borges da Rosa Vitorassi, tudo é feito
por um programa computacional, em que o funcionário tem acesso aos seus
objetivos, formulados a partir do cargo que ocupa, e os resultados, que são
avaliados pelo líder e revisados pela área de RH.

Líder recebe
avaliação dos subordinados

Obrigatoriamente, uma vez por ano, há
um feedback formal dos resultados, quando o gestor dá um retorno da atuação do
funcionário. Valdirene destaca a vantagem do sistema permitir que os dados dos
colaboradores fiquem registrados no computador, o que faz com que uma eventual
mudança de líder ou troca de áreas de trabalho não comprometa a avaliação do
funcionário.

— O colaborador não aceita mais uma organização que não
realiza método formal. Ele estimula a empresa a ter esse processo. Um
profissional atualizado quer saber o que pode fazer para crescer na organização
– diz.

Gustavo Klitzke, que foi promovido a supervisor de negócios na
Intelbras em fevereiro deste ano, continua sendo avaliado pelo sistema da
empresa. Como líder, sua equipe analisa o seu desempenho, assim como outros
líderes e o setor de RH. Klitzke acredita que a avaliação formal, com feedback e
possibilidade de contratar metas individuais para atingir os objetivos, ajudou
na sua promoção.

— As avaliações de quando eu estava no eixo de
analista me ajudaram a desenvolver algumas habilidades que são identificadas
como importantes na função e, com isso, consegui me preparar melhor e crescer
de forma mais sólida na empresa. Consegui ter foco e me desenvolver com melhor
velocidade – ressalta.

O que a pesquisa
identifica

Por que as empresas não
investem

– Rotatividade da área de RH faz com que o histórico
dos funcionários se perca e dificulte as empresas a usarem as ferramentas de
avaliação de desempenho
– As atuais práticas de RH ainda são convencionais,
com pouca inovação
– Na maioria dos casos, o RH depende de autorização
superior para investimento nas ferramentas
– As empresas não identificam os
resultados das ferramentas de avaliação

Por que investir na
avaliação formal

– Há um ganho direto na assertividade de
processos seletivos
– O RH consegue definir a melhor forma de atrair, reter e
desenvolver o colaborador, com ações que potencializam os resultados
– A
atividade se torna base para definir as promoções
– Os profissionais são
promovidos a partir de meritocracia

* Diário Catarinense