Super Simples deve ser referência para reforma tributária

10 de novembro de 2010

Recomendação é do diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos
Santos; substituição tributária em alguns estados minou o Simples
Nacional, argumenta.

A reforma tributária no Brasil já começou. A criação do Simples
Nacional, beneficiando mais de 4 milhões de empresas em todo o País,
deve ser mantida e observada como exemplo a ser seguido para uma reforma
tributária viável, recomenda o diretor-técnico do Sebrae, Carlos
Alberto dos Santos.

“Temos a maioria das empresas do Brasil num regime simplificado e
desonerado. Não observar as conquistas já feitas é como jogar fora a
água suja junto com a criança. O Super Simples não pode ser reflexo de
barganha entre estados, municípios e União. Ao contrário, deveria ser a
base para a construção de uma reforma tributária e não ser minado pelo
que está acontecendo com a substituição tributária”.

Para ele, a questão-chave de uma reforma tributária viável é a
desoneração. Infelizmente, afirma o diretor, a substituição tributária
do ICMS realizada por alguns estados, como São Paulo, minou os efeitos
benéficos para as micro e pequenas empresas.

“Nós sabemos que esta é uma questão de difícil resolução, mas é
preciso pensar em como ter sincronização neste regime pensando numa
empresa que tem em sua essência o porte e o setor que ela representa.
Pela operacionalização, pela racionalidade do Fisco, a substituição
tributária é o mais eficiente. Mas precisamos pensar na importância dos
pequenos negócios para a sociedade”.

A mesma opinião é compartilhada pelo ex-coordenador da Administração
Tributária da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo Clóvis
Panzarini: “A substituição tributária e a guerra fiscal provocam todo o
tipo de desequilíbrio. Entre eles, anularam o efeito benéfico do Simples
Nacional para as micro e pequenas empresas em determinados estados”.

O diretor do Sebrae abriu nesta terça-feira (9) o Seminário Reforma
Tributária Viável: Desafios do ICMS Rumo ao Desenvolvimento Nacional. A
iniciativa, que reuniu durante todo o dia especialistas brasileiros e
estrangeiros para discutir o tema, é uma promoção do Sebrae e do Núcleo
de Estudos Fiscais da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio
Vargas (NEF). Participaram também o coordenador geral do NEF, Eurico de
Santi, e o ex-chefe da Divisão de Política Tributária do FMI, Isaias
Coelho.

* Agência Sebrae de Notícias