STF marca julgamento sobre desoneração da folha de pagamentos para 17 de outubro

13 de outubro de 2025
STF marca julgamento sobre desoneração da folha de pagamentos para 17 de outubro

Cálculos da AGU indicam risco de prejuízo de R$ 20,23 bilhões aos cofres públicos por conta da desoneração – Foto: Freepik

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou de 17 a 24 de outubro o julgamento sobre a desoneração da folha de pagamentos —a discussão será em plenário virtual. O tema tinha sido decidido via liminar, agora, a Corte analisará o mérito do tema. Na época da liminar, governo federal e Congresso fecharam um acordo que resultou em uma lei que está em vigor, que previa a retomada gradual da tributação a partir das medidas compensatórias apresentadas. Um ministro consultado pelo JOTA informou que a tendência é manter o que está valendo.

O tema é retomado no STF com novas informações nos autos. De um lado, o governo federal alega que as medidas compensatórias previstas na lei para manter a desoneração se mostraram insuficientes e, do outro, o Congresso pediu arquivamento da ação por perda de objeto e por defender que as medidas têm lastro.

Em setembro de 2024, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a lei mantendo a desoneração da folha de pagamento de empresas de 17 setores e municípios até o fim de 2024, retomando gradualmente a tributação no prazo de três anos (2025 a 2027). A lei é reflexo de um acordo entre Congresso e Executivo após a controvérsia chegar ao STF.

Em fevereiro deste ano, a Advocacia-Geral da União (AGU) enviou uma manifestação ao Supremo em que calcula o risco de prejuízo de R$ 20,23 bilhões para os cofres públicos por conta da desoneração. Segundo a AGU, as medidas de compensação da desoneração estão se mostrando insuficientes.

Na manifestação, a AGU demonstra as medidas tomadas pelo governo federal para compensar a perda de arrecadação decorrente da desoneração. Contudo, na avaliação da AGU, os cálculos não fecham: as iniciativas somaram R$ 9,38 bilhões em 2024, enquanto o impacto negativo total da desoneração foi de R$ 30,5 bilhões, o que gerou um déficit de R$ 21,12 bilhões no ano. Para 2025, o déficit previsto é de R$ 20,23 bilhões.

Em um primeiro momento, a AGU não faz nenhum pedido específico ao Supremo, apenas respondeu a um questionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR) que solicitou a manifestação da União sobre os desdobramentos da Lei 14.973/2024, que estabeleceu o regime de transição da desoneração da folha de pagamentos.

Em resposta aos dados trazidos pela AGU, o relator, ministro Cristiano Zanin, pediu informações para o Congresso. O Senado respondeu que não se “sustentam” os argumentos da AGU, que as compensações previstas são válidas e pediu o arquivamento da ação por perda de objeto.

 

Fonte: Jota Info